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Dia Mundial das Aves Migratórias

O Dia Mundial das Aves Migratórias celebra-se anualmente no segundo fim-de-semana de maio de cada ano. Desde 2006, a data é assinalada em todo mundo com o objetivo de destacar a necessidade de preservação das aves migratórias e seus habitats, assim como incrementar a consciencialização global sobre as ameaças que as afetam. Esta comemoração inspira pessoas e organizações em todo o mundo ao debate do tema da poluição do plástico e o seu nefasto efeito na vida das aves migratórias. Em 2021, o tema subjacente a esta comemoração é “Sing, Fly, Soar – Like a Bird!” (Cante, voe, eleva-se como uma ave). Pretende-se com este tema destacar o fenómeno do canto e do voo das aves, de forma a inspirar e ligar pessoas de todas as idades, e de todo o mundo. Por outro lado, o tema tem como objetivo apelar a que todos usem as suas próprias vozes e a criatividade para expressar a sua estima pelas aves e pela natureza.

A migração das aves, é um dos fenómenos mais encantadores e simultaneamente menos compreendidos da natureza. Este fenômeno é amplamente difundido entre as aves e tem como uma das causas a oferta de alimento sazonalmente disponível. As aves migratórias são subdivididas em três grupos: As do Hemisfério Norte, do Hemisfério Sul e Neotropicais, voando mais de 20 mil quilômetros. A ave migratória que faz a migração mais longa do mundo, atingindo mais de 70.000 quilômetros, é a andorinha-do-Ártico (Sterna paradisaea).

Cabo Verde devido a sua posição estratégica no atlântico, tem sido o destino ou parte da rota de um grande número de espécies migratórias. Periodicamente, é visitado por mais de uma centena de aves que realizam movimentos sazonais do hemisfério norte a hemisfério sul (Hazevoet, 2003). Dentre as aves que visitam o território nacional, destacam-se aquelas que migram com a proximidade do Inverno boreal (Antas 1994).

Ilhéus Rombos faz parte desta rota onde das 283 espécies de aves descritas em Cabo Verde (Avibase-The world Bird database), 22 foram encontradas nesta reserva integral, mais específicamnete no ilheu de Cima: Arenaria interpres, Calidris alba, Charadrius hiaticula, Calidris ferruginea, corvus rufficollis, Delichon urnicum, Egretta garzetta, Falco alexandri, numenius phaeopus, Pandion haliaetus, Passer iagoensis, Pluvialis dominica, Pluvialis squatarola, Sylvia atricapilla, Tringa nebularia, Tringa totanus, Bubulcus ibis, Larus fuscus, Coturnix coturnix, Falco peregrinus, Tyto alba detorta, Apus sp, sendo a grande maioria delas aves migratorias.

Estes  migrantes vêm em massa ao ilhéu de Cima  à procura de um local onde podem encontrar alimentação abundante, propiciando-lhes a continuidade do seu ciclo de vida, e também de descanso de uma determinada época do ano.

É importante referir que os movimentos migratórios não são deslocamentos sem sentido, eles são rigorosamente estudados e são previsíveis para os animais que os realizam, como é o caso das aves migratórias. As características da migração animal são:

  • Deslocamento de uma população completa de animais da mesma espécie;
  • A migração tem uma direção, uma meta. Os animais sabem para onde estão indo;
  • Os comportamentos naturais das espécies podem variar. Por exemplo, aves diurnas podem voar durante a noite para evitar predadores ou, se estiverem sozinhas, se agrupar para realizar a migração;
  • A “inquietação migratória” pode aparecer. As aves começam a se sentir muito nervosas e desconfortáveis nos dias anteriores ao início da migração;
  • Os animais acumulam energia na forma de gordura para evitar ter que comer durante o processo de migração;
  • Algumas respostas específicas são inibidas. Por exemplo, mesmo que as condições sejam ideais onde esses animais estão, se chegar a hora, a migração vai começar.

O Dia Mundial das Aves Migratórias foi proclamado pelo Secretariado do Acordo sobre Conservação de Aves Aquáticas Migratórias da África-Eurásia em colaboração com o Secretariado da Convenção sobre Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres.

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