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SEGUIMENTO DA CAGARRA (CALONECTRIS EDWARDSII) COM GPS NA ILHA BRAVA

No âmbito do projeto “Promover a conservação das aves marinhas de Cabo Verde”, financiado pela fundação MAVA, coordenado pela BirdLife e em parceria com a Universidade Barcelona, a Associação Projecto Vitó desde 2018 tem desenvolvido várias atividades, nomeadamente, atividades de sensibilização, prospeção e identificação das ameaças nas áreas de reprodução das aves marinhas na ilha Brava. Porém, somente em meados de junho do corrente ano, iniciou-se o trabalho de monitorização e seguimento da Cagarra (Calonectris edwardsii) com visitas diárias aos ninhos, colocação e recuperação de GPS, colocação geolocalizadores e controle das ameaças nas principais colónias de reprodução da mesma na ilha Brava.

Para determinar e aplicar as medidas mais eficazes para conservação das aves marinhas é necessário conhecer previamente as ameaças que enfrentam tanto em terra, nas suas colónias de reprodução, como também no mar onde passam a maior parte do seu ciclo vital. Para saber quais são estas ameaças, primeiramente, precisa-se conhecer as áreas utilizadas. Para conhecer a área de alimentação e comportamento no mar das aves marinhas durante o período de reprodução, geralmente utiliza-se  o GPS. No caso da Cagarra, o GPS é colocado nas costas, antes da ave ir para o mar e é recuperado vários dias depois quando esta volta do mar.

A equipa da Associação Projecto Vitó coordenada, a distância, pelo Biólogo e Diretor Executivo Herculano Dinis, Mariona Sardá-Serra e Ivandra Gomes, coordenada, no campo, pelos Biólogos Nadito Barbosa e Cátio Pina, auxiliados pelos técnicos Deusa Araújo e Andreia Leal, e pela estudante Licencianda em Ciências Ambientais da Universidade Barcelona, Laura Jiménez Sierra, com apoio da associação Biflores e da Camara Municipal da ilha Brava, tem efetuado a prospeção de novas áreas de reprodução, monitorização dos ninhos conhecidos, identificação e controle das ameaças e colocação e recuperação de GPS e geolocalizadores. Este trabalho é realizado sob a direção científica do catedrático da Universidade de Barcelona Jacob González-Solís.

Até o momento já foram colocados 16 GPS em Cagarras, dos quais 9 já foram recuperados, 5 foram perdidos e faltam 2 por recuperar.

Figura2: Viagens de 9 indivíduos de Cagarras (Calonectris edwardsii) seguidos com GPS na ilha Brava. À direita pode-se observar a variação da distância à colónia ao longo do tempo. Cada cor representa uma viagem. Autora: Teresa Militão.

Com os dados dos nove GPS recuperados já se pode ter uma noção da área utilizada para alimentação durante o período de incubação pela Cagarra que reproduz na ilha Brava (figura 2). Seis dos indivíduos seguidos visitaram uma região ao largo da Africa Ocidental (frente ao Senegal e à Mauritânia), um comportamento consistente com outras populações da mesma espécie que reproduz nos ilhéus Raso e Curral Velho.

As viagens duram aproximadamente 10 dias, durante as quais as cagarras alcançam uma distância máxima à colónia de quase 1000 Km e percorrem um total de mais de 2000 km (ver figura 3) para ir até a plataforma continental africana alimentar-se e regressar à colónia de reprodução. A região utilizada para alimentação é destacada pelo seu perfil de alta produtividade e é fortemente explorado por frotas pesqueiras industriais internacionais, onde esta espécie poderá ser capturada acidentalmente pelas artes de pesca. Os restantes três indivíduos seguidos não viajaram para tão longe, percorrendo apenas uns 200 km desde colónia de reprodução nas águas de Cabo Verde (exemplo figura 4).

Figura3- Viagem longa de uma Cagarra (Calonectris edwardsii) seguida com GPS na ilha Brava durante a incubação. O gráfico da esquerda corresponde a trajetória percorrida por este indivíduo e à direita a variação temporal da distância à colónia ao longo da viagem. Autor: Teresa Militão.

Figura 4- Viagem curta de uma Cagarra (Calonectris edwardsii) seguida com GPS na ilha Brava, durante a incubação. O gráfico da esquerda corresponde a trajetória percorrida por este indivíduo e à direita a variação temporal da distância à colónia ao longo da viagem. Autora: Teresa Militão.

Os trabalhos realizados até então decorreram durante a época de incubação. Agora com o nascimento do filhote, os trabalhos seguirão até o final de agosto com visitas noturnas para colocação e recuperação de GPS durante o período de criação do filhote.

AL/PV

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