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TEMPORADA 2021 DE GONGON (PTERODROMA FEAE) OUTUBRO – NOVEMBRO

O emblemático Gongon (Pterodroma feae) é uma espécie endémica de Cabo Verde, que reproduz nas ilhas de Santo Antão, São Nicolau, Santiago e Fogo, e que se encontra em risco de extinção, devido a diversos fatores como, a predação por espécies introduzidas (gatos e ratos), a captura humana, a poluição luminosa, pelo facto de reproduzirem nas imediações de zonas habitadas e devido a perda de habitat. Todavia, nos últimos anos, ações de preservação e conservação desta espécie têm sido desenvolvidos no âmbito do projeto “Promover a Conservação das Aves Marinhas de Cabo Verde, financiado pela fundação MAVA e coordenado pela Birdlife Internacional e a Direção Nacional do Ambiente.

A equipa técnica de aves marinhas da Associação Projecto Vitó tem desenvolvido vários trabalhos de seguimento e monitorização para a conservação desta espécie na ilha do Fogo, como a colocação de rede em Bordeira, resultando na captura de 12 indivíduos (7 novos e 5 recapturas) e em Monte Vaca, 47 indivíduos (31 novos e 16 recapturas). Diariamente, é feito a revisão dos ninhos já conhecidos, onde até o presente momento, já foram revisadas 6 colónias de reprodução, com exceção da colónia de Topo (Estância Roque). De referir, também, que foram colocadas 15 câmaras de foto armadilhagens nos ninhos das colónias mais importantes para o seguimento e monitorização. De igual modo, está-se a instalar, pelo segundo ano consecutivo, a “Livecam” em um dos ninhos de Gongon, que permitirá seguir em tempo real, todo o ciclo de reprodução do casal com transmissão Livestream aberto ao público, que poderá ser acompanhada no canal Youtube- Gongon petrel Livecam (clica para ver), fruto da parceria entre a Associação Projecto Vitó, Universidade de Barcelona e a MiraNatura. No mesmo sentido, já foram colocados 5 sound record nas áreas de cortejo e nas colónias.

De modo a aumentar o impacto das ações de preservação e conservação do Gongon, tem sido desenvolvido trabalhos em diferentes comunidades da ilha do Fogo. Alguns dos trabalhos desenvolvidos foram, a aplicação de questionários aos moradores da comunidade, no caso da Tinteira, a fim de saber se os mesmos possuem gatos, para a colocação de GPS nos mesmos, de forma a conhecer os hábitos e determinar se estes visitam ou não as áreas de reprodução da espécie infra. No mesmo sentido, é aplicado questionários aos pescadores, como também, a colocação de GPS em suas embarcações com o objetivo de conhecer as áreas de pescas e determinar se coincidem ou não com as áreas de distribuição das aves marinhas. Até o presente momento esta atividade foi realizada na comunidade de Relva, Mosteiros.

Neste ano, também, foi lançada uma nova atividade, com o principal objetivo aumentar o conhecimento sobre as aves marinhas de Cabo Verde. A exposição de telas destas espécies foi levada a cabo em pontos estratégicos das ilhas do Fogo (praça Cruz dos Passos – São Filipe e no hotel Casa Mariza – Chã das Caldeiras) e Brava (praça Eugénio Tavares e Furna na rua pedonal), com explicações em tempo real das descrições destas espécies marinhas, cuja duração de uma semana.

Todas estas atividade desenvolvidas, até ao momento, contribuem para a continuação dos estudo do tamanho da população do Gongon, aprofundar o conhecimento sobre as ameaças, biologia e ecologia, estudar seus comportamentos, alargar os conhecimentos sobre os movimentos migratórios, as áreas de reprodução, entre outros aspetos que traduzem na importância de sua conservação. A equipa técnica é constituída por 4 técnicos, Admilton de Pina, Cátio Pina, Domingos Montrond e Deusa Araújo, apoiada, pontualmente, pelos voluntários do Volunteer Program. A coordenação é feita pela técnica Bióloga, Ivandra Gomes, Mariona Sarda da Universidade de Barcelona, sob a direção científica do catedrático da Universidade de Barcelona, Jacob González-Solís e coordenação geral do Diretor Executivo da Associação Projecto Vitó, Herculano Dinis.

MP/PV

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