Espécies de Plantas Endémicas
ESPÉCIES DE PLANTAS ENDÉMICAS
A Flora Endémica em Cabo Verde, quando comparada à de outros arquipélagos da Macaronésia mostra-se relativamente pobre em número de espécies e indivíduos, totalizando 91 espécies, distribuídas pelas ilhas de Cabo Verde. A maioria das espécies, (73%, segundo a IUCN), encontram-se ameaçadas de extinção. As ilhas do Fogo e Brava, possuem 377 taxa (sendo 00 taxa endémica) e 308 taxa (sendo 24 taxa endémica) respetivamente, sendo que a ilha do Fogo possui 51 espécies endémicas de entre essas, 5 Sp. são consideradas exclusivas, nomeadamente, Echium vulcanorum, Diplotaxis hirta, Verbascum cystolithicum, Daucus humils e Erysimum caboverdeanum. Enquanto que, na ilha Brava, aparecem 24 espécies endémicas e apenas uma é considerada exclusiva da ilha, a Launaea thalassica.
Devido à conjugação de vários fatores, o Arquipélago ostenta uma diversidade biológica considerável e de importância global, apresentando, no entanto, um ecossistema de fraco equilíbrio, onde existem vários fatores de ameaças, como a seca, as espécies exóticas e invasoras, fatores antrópicos. Daí a necessidade de se enveredar acções pela conservação da biodiversidade e dos recursos naturais
Nome Vulgar: Piorno
Nome Científico: Lotus jacobaeus L.
Ordem: Fabales
Familia: Fabaceae
Carateristicas fisiológicas: Espécie herbácea perene, lenhosa na base atingindo os 50 cm de altura. Flores de coloração purpúrea escura no topo de longos pedúnculos eretos.
Distribuição Geográfica: Lotus jacobaeus é uma espécie mesofítica mais comum em zonas semi-áridas e sub-húmidas de Santiago e do Fogo. Dentro do Parque Natural do Fogo, esta espécie é observada em maior abundância nas zonas superiores da Bordeira. Sua distribuição altitudinal principal é entre 600 m e 2.400 m.
O género Lotus mostra uma ampla diversidade morfológica em Cabo Verde e uma considerável incerteza taxonómica. Por estas razões, as 6 espécies endémicas de Lotus não foram avaliadas na Lista Vermelha de plantas endémicas de Cabo Verde (Romeiras et al. 2016).
Uso: Utilizada como pastos
Pedreiro azul (Pelagodroma marina eadesorum)
Ordem: Procellariiformes
Família: Hydrobatidae
Espécie endémica – Não
Comprimento – 18 – 21 cm
Envergadura de asa – 42 a 43 cm
Peso médio – 40 a 60g
- Estatuto de conservação mundial (IUCN): Pouco preocupante
- Lista vermelha de Cabo Verde: Indeterminado
A cabeça é cinza-escura com uma linha branca por cima dos olhos e garganta branca. Bico negro, fino e longo. Tem um colar cinzento incompleto na zona do pescoço e dorso castanho-acinzentado, as penas das asas e da cauda são negras e as coberturas caudais são acinzentadas. O ventre é branco. Asas curtas, mas patas compridas, pretas excepto a membrana interdigital que é amarela.
Distribuição
Em Cabo Verde, nidifica nos ilhéus Branco, no ilhéu dos Pássaros (Boavista), no ilhéu Laja Branca (Maio) e nos ilhéus Rombo.
João Preto (Bulweria bulwerii)
Ordem: Procellariiformes
Família: Procellariidae
Espécie endémica – Não
Comprimento – 26- 28 cm
Envergadura de asa – 67 cm
Peso médio – 75 a 139g
- Estatuto de conservação mundial (IUCN): Pouco preocupante
- Lista vermelha de Cabo Verde: Risco baixo
Ave marinha totalmente preta, com exceção das penas de cobertura das asas que são de um castanho pálido. O bico é grosso e escuro, terminando em gancho. As patas são negras. Apresenta um ligeiro dimorfismo sexual, sendo os machos ligeiramente maiores que as fêmeas.
Distribuição
Em Cabo Verde, nidifica nos ilhéus Raso, Rabo-de-Junco e nos ilhéus Rombo. Durante o período reprodutor alimentam-se nas águas ao largo de Cabo Verde. Fora do período reprodutor, migra para a zona central do Atlântico, voltando à colónia geralmente em Janeiro (no caso dos adultos de Ilhéu de Cima) ou Abril (no caso dos indivíduos do ilhéu Raso).
Pedreiro (Puffinus iherminiery boydi)
Ordem: Procellariiformes
Família: Procellariidae
Espécie endémica – Sub-espécie, sim
Comprimento – 28- 30 cm
Envergadura de asa – 58 a 61 cm
Peso médio – 160g
- Estatuto de conservação mundial (IUCN): Pouco preocupante
- Lista vermelha de Cabo Verde: Indeterminado
Sub-espécie endémica de Cabo Verde embora a sua taxonomia esteja ainda em discussão. Bico escuro fino e longo. Patas de um azul acizentado. O dorso é escuro, com exceção de dois flancos brancos laterais junto à cauda. O ventre é branco e a parte interior das asas apresenta um rebordo escuro.
Distribuição
Nidifica em Santo Antão, São Nicolau, Sal, Santiago, Fogo e Brava e nos ilhéus – Ilhas Desertas, Rabo-de-Junco e ilhéus Rombo.Tanto em zonas costeiras como em montanhas. Alguns indivíduos migram para a zona central do Atlântico Norte, outros mantêm-se durante todo o ano ao largo de Cabo Verde.
Gongon (Pterodroma feae)
Ordem: Procellariiformes
Família: Procellariidae
Espécie endémica – sim
Comprimento – 37 cm
Envergadura de asa – 89 a 94 cm
Peso médio – 283g
- Estatuto de conservação mundial (IUCN): Quase ameaçado
- Lista vermelha de Cabo Verde: Vulnerável
A cabeça é grande e o pescoço grosso. Tem testa branca e o topo da cabeça é escuro. O bico é grosso e de base curta com um ponta em gancho. Apresenta um corpo robusto e compacto. A cauda em cunha e os flancos listados. A identificação é difícil pois é facilmente confundida com a Freira-do-bugio e Freira-da-madeira.
Distribuição
Espécie endémica de Cabo Verde que nidifica nas ilhas de Santo Antão, São Nicolau, Fogo e Santiago. É uma espécie oceânica, residente nas águas ao largo de Cabo Verde (sobretudo num raio de 500 km) durante todo o ano. Presente em terra apenas entre setembro e junho.
Cagarra (Calonectris edwarsii)
Ordem: Procellariiformes
Família: Procellariidae
Espécie endémica – Sim
Comprimento – 42 – 47 cm
Envergadura de asa – 101 a 112 cm
Peso médio – 420 a 540g
- Estatuto de conservação mundial (IUCN): Quase ameaçada
- Lista vermelha de Cabo Verde: Em perigo de extinção
De pequena dimensão, em comparação com a espécie portuguesa (Calonectris borealis). Comparativamente à espécie portuguesa, identifica-se pelo bico afilado e escuro de menor dimensão, a cabeça e o dorso mais escuros. Os juvenis e os adultos são morfologicamente semelhantes. Apresenta baixo dimorfismo sexual.
Distribuição
Reproduz-se em quase todas as ilhas de Cabo Verde, excetuando Maio e Santa Luzia. Até há pouco tempo pensava-se não se encontrar na ilha do Sal. Durante a reprodução encontra-se presente nas águas de Cabo Verde e Costa de África, migrando posteriormente para a América do Sul nas águas do Brasil.
Rabo de Junco (Phaeton aethereus)
Ordem: Phaethontiformes
Família: Phaethonidae
Espécie endémica – Não
Comprimento – 90 – 107 cm incluindo a cauda que pode ir até 70cm
Envergadura de asa – 99 a 106 cm
Peso médio – 700g
- Estatuto de conservação mundial (IUCN): Pouco preocupante
- Lista vermelha de Cabo Verde: Em perigo
Espécie de grande porte. A plumagem é maioritariamente branca, como uma faixa negra na zona ocular, manchas pretas no dorso e nas pontas das asas.
Os adultos possuem um bico robusto vermelho e os juvenis amarelo. As patas possuem membranas interdigitais, e são amarelas com manchas pretas.
Distribuição
Espécie residente, que cria durante todo o ano em Cabo Verde.
Alcatraz (Sula leucogaster)
Ordem: Suliformes
Família: Sulidae
Espécie endémica – Não
Comprimento – 64-85 cm
Envergadura de asa – 132-155 cm
Peso médio – 500-1800g
- Estatuto de conservação mundial (IUCN): Pouco preocupante
- Lista vermelha de Cabo Verde: Vulnerável
A plumagem dos adultos é branca na zona do ventre de baixo da asa desde o centro até à margem. Castanho na parte superior das asas, dorso, cabeça, pescoço e parte superior do peito. Os machos têm patas de amarelo forte e as penas são mais escuras que as fêmeas. O bico das fêmeas é rosado o dos machos é todo amarelo e na base têm um tom azulado perto do olho.
Distribuição
Reproduz-se nos ilhéus Raso, na Reserva Natural de Santa Luzi, Curral Velho e Baluarte, na Ilha da Boavista e também nas Ilha de Santiago e Brava Normalmente podemos encontrá-los em zonas costeiras e de falésia.
Alcatraz de patas vermelhas (Sula sula)
Ordem: Suliformes
Família: Sulidae
Espécie endémica – Não
Comprimento – 69 – 79 cm
Envergadura de asa – 134-150 cm
Peso médio – 850-1100g
- Estatuto de conservação mundial (IUCN): Pouco preocupante
- Lista vermelha de Cabo Verde: Indeterminado
Ave de morfologia variada. Na morfo branca prevalece a plumagem branca com algumas partes amarelas. Asas com tons de cinza prata. A cauda pode ser branca ou preta. As asas são sempre escuras. Na morfo castanha tem uma plumagem castanha variável de bronze a castanho chocolate. O bico azul acinzentado mais fosco na ponta e possui pele nua ao redor dos olhos.
Distribuição
Em Cabo Verde existem observações no Raso, Santiago (baía do Inferno) e Brava.
Fragata (Fregata magnificens)
Ordem: Suliformes
Família: Fregatidae
Espécie endémica – Não
Comprimento – 89 – 114 cm
Envergadura de asa – 217 – 244cm
Peso médio – 1000-1900g
- Estatuto de conservação mundial (IUCN): Pouco preocupante
- Lista vermelha de Cabo Verde: Considerada extinta em Cabo Verde, na última década foram vistos apenas 3 indivíduos.
Ave de grande porte com asas muito longas e estreitas, cauda bifurcada, bico longo terminado em gancho e patas curtas. A plumagem é quase completamente negra, exceto o peito que é branco. As fêmeas e os indivíduos imaturos apresentam a cabeça e o ventre brancos. Os machos são menores que as fêmeas e apresentam na região da garganta uma bolsa vermelha que enchem de ar durante a parada nupcial.
Distribuição
Espécie tropical. Cria nos Oceanos Atlântico e Pacífico. A única área de cria no oeste africano era em Cabo Verde. No passado reproduzia-se nos ilhéus Baluarte e Curral Velho a este e sul da ilha Boavista. Há registos até meados do século XIX desta espécie criar também no ilhéu dos Pássaros em São Vicente. As últimas nidificações ocorreram no ilhéu de Curral Velho.
Principais ameaças
PREDAÇÃO POR MAMÍFEROS INVASORES
Atualmente a maior ameaça que sofrem as aves marinhas em Cabo Verde é a depredação por parte de cães, gatos, ratazanas e ratos introduzidos pelos humanos. Estes predadores capturam adultos, crias e ovos causando grandes impactos negativos no êxito reprodutor das aves marinhas e nas suas populações.
CAPTURA POR HUMANOS
A captura humana de adultos e crias de aves marinhas para consumo alimentar, para fins medicinais ou para ter como animais de estimação ocorre em várias ilhas e ilhéus de Cabo Verde, sendo as aves de maior porte as principais vítimas (Alcatraz, Rabo-de-Junco, Cagarra e Gongon). As capturas e posterior venda de filhotes de cagarra no ilhéu Raso era uma prática habitual até o ano 2011, ano em que foi erradicada. Infelizmente a captura de Alcatraz, Rabo-de-Junco e Cagarra na Brava, a captura de Gongon em Santo Antão, São Nicolau, Santiago e Fogo a captura de Rabo-de-Junco em Boavista e no Sal, continuam a ser habituais.
POLUIÇÃO LUMINOSA
Algumas espécies de aves marinhas entram e saem de noite dos seus locais de reprodução para evitar a predação. Infelizmente, algumas destas aves podem encandear-se com luzes artificiais das populações humanas, caem para o chão e podem morrer devido ao impacto, ou caso não morram ficam mais expostas à predação por gatos, à captura humana ou sujeitas a ser atropelas por carros.
INTERACÇÃO COM PESCAS
Pescadores e aves marinhas estão frequentemente à procurar peixe nos mesmos lugares e portanto a interação das aves marinhas com as artes de pesca é habitual e quase inevitável. É bem conhecido que algumas artes de pesca com anzóis, como um palangre, ou a pesca com redes, podem causar importantes mortalidades de aves marinhas, e em alguns lugares são a causa principal do declínio populacional das aves marinhas como os albatrozes por exemplo.
PERDA DE HABITAT
A perda de habitat é uma causa silenciosa do declínio populacional das aves marinhas em Cabo Verde. O desenvolvimento de populações ou de infraestruturas turísticas na costa, e também em alguns lugares do interior, estão a ocupar espaço antigamente utilizados pelas aves marinhas. Espécies como o Gongon precisam de áreas sem luz artificial para a sua reprodução, que se vão tornando cada vez mais raras. O desenvolvimento das populações também está acompanhado da proliferação de cães, gatos, ratazanas e ratos, empurrando as aves marinhas a reproduzir em lugares cada vez mais limitados.
ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
Geralmente as aves marinhas nidificam durante o período em que as suas presas são mais abundantes. No entanto, o atual aumento da temperatura dos oceanos está a alterar os ritmos biológicos das suas presas (pequenos peixes, crustáceos e cefalópodes). Infelizmente, as aves marinhas não estão a conseguir adaptar os seus ritmos biológicos às alterações da temperatura dos oceanos o que está a provocar um desfasamento entre os períodos em que as aves marinhas nidificam e os períodos de maior abundância de suas presas nos oceanos. Este desfasamento está a diminuir o sucesso reprodutor das aves marinhas, dificultando a sobrevivência a longo prazo destas espécies (Keogan et al. 2018).
DESIQUILÍBRIO DOS ECOSSISTEMAS
As alterações climáticas, a sobrepesca, a poluição e a introdução de espécies invasoras podem provocar alteração nas cadeias tróficas marinhas e consequentemente na estrutura e equilíbrio dos ecossistemas. As aves marinhas dependem do ecossistema marinho para sobreviver e qualquer fator que afete este equilíbrio terá consequências na sua sobrevivência.
Saiba mais aqui: https://avesmarinhasdecaboverde.info/
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A IMPORTÂNCIA DAS AVES MARINHAS PARA O ECOSSISTEMA
TURISMO
Pontêncializam um turismo de natureza rentável para o arquipélogo de Cabo Verde.
ECOSISTEMA
Excelentes bioindicadores da saúde dos ecossistemas marinhos
AMBIENTE
As aves marinhas oferecem-nos boas pistas sobre a saúde dos recursos marinhos que tanto elas como nós dependemos.
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