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Novos registos de uma rara orquídea são identificados na ilha do Fogo
Durante os recentes trabalhos de mapeamento e levantamento da flora invasora, realizados pela equipa técnica da Associação Projecto Vitó na ilha do Fogo, encontrámos a Eulophia guineensis Lindl., mais conhecida localmente por “Orelha-de-rato”.
A Eulophia guineensis Lindl. é uma orquídea terrestre e representa uma das espécies vegetais mais raras e de elevado valor ecológico para o arquipélago de Cabo Verde, sendo encontrada apenas nas ilhas do Fogo e da Brava. Estas ilhas marcam o limite ocidental da sua distribuição geográfica global.
Caracterizada pelos seus pseudobulbos bem desenvolvidos e pelas flores de pétalas castanho-púrpura, com um labelo rosado e vistoso, a sua sobrevivência depende criticamente de solos vulcânicos e de microclimas húmidos de altitude.
A trajetória científica desta espécie na ilha do Fogo e em Cabo Verde é marcada por longas lacunas. A sua presença na ilha do Fogo foi documentada pela primeira vez no início do século XX, durante as expedições botânicas de Chevalier (1934). Após estas recolhas, a orquídea permaneceu sem qualquer registo oficial no Fogo durante oito décadas, tendo sido considerada extinta na ilha e no arquipélago.
Em 2013 e 2014, durante novas expedições botânicas, voltaram a ser inventariados exemplares vivos na zona da Ribeira do Ilhéu e em outros oito locais, situados entre os 400 e os 800 metros de altitude (Marrero & Almeida, 2013). A redescoberta desta espécie nas últimas duas décadas permitiu reavaliar a urgência da sua proteção (M. M. Romeiras et al., 2015).
Recentemente, a 26 de agosto de 2026, a presença e vitalidade desta espécie na ilha do Fogo voltaram a ser confirmadas em novas áreas de ocorrência, relativamente à última publicação. Foram identificados seis novos indivíduos, distribuídos por cinco novos pontos de ocorrência, localizados entre os 1 060 e os 1 137 metros de altitude, num andar climático sub-húmido a húmido de altitude, próximo do limite do Parque Natural do Fogo, na localidade de Feijoal, concelho dos Mosteiros.
Os espécimes foram encontrados no interior do perímetro florestal, próximos de um trilho antigo e de um terreno agrícola abandonado, atingindo o limite agroflorestal do PNF (Parque Natural do Fogo).
Apesar de esta ser uma excelente notícia para a biodiversidade da ilha, o avistamento trouxe igualmente um alerta crítico, uma vez que todos os exemplares foram encontrados na proximidade direta de manchas densas da espécie invasora Lantana camara.
A expansão desta planta ameaça as pequenas populações residuais da orquídea, através do sombreamento e da competição por nutrientes, tornando prioritária a implementação imediata de ações de controlo.
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